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© Henrique Patrício

Quantos Diógenes nos restam?

TUTANO apela à reflexão sobre a condição humana através do exercício artístico da apropriação do olhar de Diógenes, o Cínico. Diógenes não deixou obra. Foi discípulo de Antístenes, considerado o fundador da filosofia cínica. Sabe-se que escrevia, mas a sua escrita não sobreviveu. Chegaram-nos as anedotas, as réplicas, fragmentos de um pensamento que idealizava pela valorização da natureza animal do homem e a pela procura de uma filosofia assente em princípios mais práticos em oposição à filosofia platónica, mais popular na altura. O programa filosófico de Diógenes expressa-se inteiramente na célebre frase “procuro um homem”, que pronunciava, com evidente e provocante ironia, enquanto caminhava de lanterna acesa, em pleno dia.

O espetáculo é composto por três personagens: o Carro, o Cláudio e o Cão. O Carro é um personagem que em si mesmo é a definição etimológica da palavra metáfora, que vem do grego metaphorá, e que significa «transporte», «veículo». O Cláudio é a personificação do Diógenes. Não é nosso objetivo representar um Diógenes histórico. Queremos perceber quanto de Diógenes ainda temos e o que ficou do seu legado até aos nossos dias. Em suma, quantos Diógenes ainda nos restam? In fine temos o Cão, que é a palavra e o animal que dá nome à corrente filosófica do Cinismo. O Cão é dito como um modelo para chegar à felicidade, no sentido em que este segue naturalmente os seus instintos, ou seja, a sua natureza.

TUTANO é um espetáculo cru, com uma encenação despojada, que procura questionar o público sobre a superficialidade cénica da realidade.

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© Henrique Patrício

Ficha Artística

Dramaturgia: Helder Wasterlain  Encenação e cenografia: Adérito Araújo, João Fong  Interpretação: Cláudio Vidal, Amábile Maria  Participação especial: João Pedro Gama, Maria Dias, Douglas Oliveira (voz)  Apoio à movimentação da marioneta: Patrick Murys  Desenho de luz: Adérito Araújo, João Fong  Sonoplastia: João Fong  Construção da marioneta: João Fong  Imagem gráfica: Henrique Patrício  Produção executiva: Maria Dias  Fotografias: Henrique Patrício

 

Apoios: Universidade de Coimbra, Câmara Municipal de Coimbra, Cooperativa Bonifrates, GEFAC – Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra, Teatrão – Teatro para a Infância de Coimbra, CAV – Centro de Artes Visuais, TEUC – Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra

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